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O Nosso Velho Fogão a Lenha

Valmir Simões

 

 

 

 

Naquele tempo, na nossa querida Itiúba, era muito comum ver jumentos nas ruas da cidade carregados de lenha e o seu condutor trazendo nas mãos um pequeno chicote de mato com o qual, de vez em quando, batia no animal para fazê-lo andar mais depressa até a casa do freguês. Na maioria das vezes a carga de lenha já vinha por encomenda, pelo menos na nossa casa era assim. A lenha de angico e pau-de-rato era a mais consumida. Conheci certas cozinhas nas quais as telhas e paredes internas eram pretas da fumaça que saia do fogão, naquele procedimento bem rústico de cozinhar com lenha, aos poucos ia atiçando a lenha e alimentando a chama que ardia sob a chapa de 3 bocas confeccionada em ferro fundido. O antigo Bazar Popular vendia bastantes chapas que ficavam expostas e amarradas de arame a espera do freguês ou penduradas nas portas do estabelecimento. Sobre o fogão não faltava o velho abanador confeccionado em palha de ouricourí, era uma peça fundamental em toda casa. Quem não tivesse o abanador tinha de se valer do sopro com a boca e não tinha bocheça que agüentasse. Panelas e frigideiras de barro ou esmaltadas predominavam. O feijão tinha um sabor todo especial quando era cozido em panelas de barro

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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