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Os Grandes Encontros de Lazer

Antônio Ricardo da Silva Benevides

 

 

 

 

 

Gostaria de relembrar os bons momentos de bate-papo, prosa, jogos e diversões vividos por nós itiubenses entre os anos 60 a 90 em nossa velha e querida terra.

  

Sapataria do Du, instalada na rua Monte Santo, freqüentávamos aquele recinto para conversar sobre os assuntos da atualidade, não só sobre Itiúba , mas também  sobre o Brasil e o mundo. O que mais me chamava a atenção eram as paredes da sua tenda, decoradas com páginas da revista O Cruzeiro, contendo fotos e piadas do Amigo da Onça.

           

Barbearia do Antônio Berro Grosso, era ali na rua Cel. João Antônio que aconteciam as grandes disputas de jogo de dama entre os melhores jogadores da cidade, sendo que dentre tantos  podemos citar o Honoratinho, Seu Piroquinha, Mestre Augusto Carneiro, Pedro Claro, Seu Belizário e Seu Zé Domingos.

 

Armazém do Banduca, situado na travessa Rio Branco; no seu interior existia um reservado e era lá que se travavam as grandes competições de gamão, tendo como competidores Carlos Pires, Fernando Carvalho, Luiz Cruz, Zezito Pinto, Almir, Tiberinho e tantos outros.

 

Bar Central, localizado na Av. Getúlio Vargas, ai  se jogavam sinuca e bilhar e no seu reservado acontecia a jogatina de cartas de baralho e as apostas corriam soltas, sendo que os frequentadores mais assíduos eram: Bejá, Queixinho, Pituca, Zuca, Pretinho, Zequinha Fedor, Paluta, Boca, Ioió, Craúna e Janjão.

           

Briga de Galo, existia uma grande rinha no bairro do Calumbi e lá aconteciam as brigas de galo. Geralmente aos domingos pela manhã se aglomeravam dezenas de aficionados desse esporte para apostarem em suas aves preferidas, todas de raça pura. Os maiores criadores eram: João França, Paulo Preto, Teixerinha, Zezinho do Alto e Ourivaldo Góes.

           

Campo de Futebol, localizado no pasto do prefeito Valadares, nas proximidades da Estação da Leste, ai se disputavam grandes clássicos não só entre os times da casa, o Ferroviário e Itiubense, mas também com times e seleções das cidades vizinhas. Tudo aquilo era uma grande festa.

           

Vaquejada e Corrida de Argolinhas, a festa do vaqueiro de Itiúba ficou famosa em toda região e acontecia na Praça do Vaqueiro. Já as corridas de argolinha aconteciam com freqüência nos povoados de Picos, Sítio dos Moços, Alto de São Gonçalo, Pedra do Solta e Ponta Baixa.

           

Parques, Circos e Bingos, temporariamente passavam por Itiúba parques de diversão e bons circos que se instalavam na Praça Nova. Esporadicamente aconteciam bingos que eram realizados na Praça da Matriz, com transmissões ao vivo através do serviço de som da Rádio Cultural de Itiúba, tendo como locutor, Fernando Pinto de Carvalho, o Cid Moreira itiubense.

            Clube Recreativo União 2 de Julho, aos domingos, a partir das 16 horas começava a matinê, um baile diurno que era freqüentado pela juventude da época.

           

Balaustrada do Tanque da Nação, ali se reunia grande parte dos jovens itiubenses para prosarem e quebrarem boas gaitadas.

           

Cine Itiúba, de propriedade do Seu Bertinho, mas sob a direção do inventor Zezito Pinto, era lá que assistíamos aos bons filmes e os mais disputados eram os de Zorro, Tarzan e os de Cow-boy do Velho Oeste.     

           

Chegada do Trem, nas sextas feiras à tarde uma multidão se dirigia para a Estação da Leste para apreciar a passagem do trem, enquanto outras pessoas ali compareciam para recepcionar seus familiares e diletos amigos provenientes da ?Bahia Grande,? como se costumava chamar a capital do estado, numa época em que a atual cidade do Salvador era o lugar ideal para onde convergiam todos os cidadãos de bem e os jovens idealistas na busca da beleza, do prazer e da cultura.

           

Lapinha, no mês de dezembro, várias famílias armavam seus presépios para celebrar o nascimento do Menino Jesus e os mais visitados ficavam instalados nas residências do Seu Mota, do João Clímaco, Elizio Ferreira, Lourdes Azerêdo e Helena Carvalhal. Aí acontecia que, em sua simplicidade, as mamães que traziam seus rebentos para as visitações se mostravam comovidas diante do realismo ingênuo dos presépios e da visão das manjedouras onde pastavam carneiros, jumentos e os bois que em sua inocência assistiam ao nascimento do Santo Salvador.

 

 

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com