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Mingau de Cachorro

Valmir Simões

 

 

 

 

Naquele tempo, na nossa Itiúba, as pessoas mais antigas não se abatiam por qualquer coisa. As doenças mais corriqueiras eram tratadas de uma maneira simples, com chás e infusões, muitas vezes extraídas do próprio quintal, como folhas, frutos e raízes. A farmácia ficava por último. Fortes gripes e resfriados em adultos e crianças, era motivo de preocupação, pois não existiam vacinas para esses casos. O restabelecimento era motivo de cuidado redobrado com alimentação adequada, como mingaus e sopas. Aí entrava em cena uma receita infalível, mais conhecida como “Levanta Defunto”, era na verdade o famoso “Mingau de Cachorro” com esta receita: Alho bem amassado, uma colherinha de manteiga, sal a gosto, a medida de uma xícara de água e um pouco de farinha de mandioca peneirada, leva-se ao fogo para engrossar, no ponto de fervura retira-se e está no ponto de tomar. Em outras regiões do Nordeste, é também conhecido como “Mingau de Sebo”, simplesmente é substituída a manteiga por um pedacinho de sebo de boi. Não se engane, esta receita ainda é muito usada nos dias de hoje pelos interioranos, que passam de pai para filho.

 

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com