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A Família

Humberto Pinto de Carvalho

 

 

 

 

Os nascidos na década de 1950 ainda guardam, como referencial, os limites e o respeito que os Chefes de Famílias, com sua autoridade criativa, mantinham unidas suas proles. O pai era o modelo a ser perseguido pelos filhos. A mãe a dona de casa contemporizadora, que cuidava de tudo e era a guardiã das filhas. Este é o retrato da tradicional família itiubense.

Hoje, na falta dessas figuras, os jovens não mais encontraram o porto seguro para estudar e batalhar pelo sucesso. São mudanças visíveis. Acabaram os horários certos para o café da manhã, almoço e jantar. Todos estão à procura do prazer sem restrição, sem compromisso com o futuro, numa seqüência avassaladora.

As crianças, aos dois anos, são encaminhadas à escolinha, com professoras treinadas e que se esforçam para atender as suas carências. Tudo é feito, mas, o aconchego do lar é insubstituível. Muitos culpam a internet ou a globalização como causas. Apenas ajudaram no distanciamento da realidade que tem identidade e limite sem privilegiar os excessos do livre arbítrio. Aos pouco nos damos conta de que entramos e somos prisioneiros do caos sem fim. Muitos filhos nasceram de pais e mães com menos de quinze anos de idade e são vistos como ponta de estoque. Sempre precisarão da criatividade dos outros para não encalhar. Outros são considerados desperdício da natureza, que não conseguem sequer a simpatia da sogra. Crescem nesta sociedade de apressados e descompromissados com o coletivo.

Os fatos mostram que pouquíssimos jovens se destacam e acertam a escolha do caminho, que este conjunto oferece com base na livre escolha para consecução de um projeto de vida que independa dos pais.

As estatísticas demonstram que a polidez e o respeito pela família estão desaparecendo e por conseqüência à paz entre irmãos. Quando cada um individualiza o ideal, o coletivo fica sem sentido. Os formadores de opiniões, como os professores, sempre se preocuparam em comunicar aos pais os comportamentos estranhos nas salas de aulas. De cada dez pais, mães ou responsáveis pela criança, apenas quatro participam das reuniões. Um capitulo da novela ou jogo de futebol, passaram a ser mais importantes que um afago na hora certa e no momento exato.

Triste é ver, em plena praça pública, garotos e garotas com menos de quatorze anos, desacompanhados, bebendo a espera do inicio das festas dançantes, às 23 horas, nos chamados “Clubes” instalados no centro e nos arredores, que rola até o dia amanhecer. Tem que haver vigilância do estado ou da sociedade como um todo. È um desafio para recolocar os jovens, os maduros e os velhos itiubenses no caminho do saber dos valores educacionais e sociais.

 

 

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com