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Arrumando a Trouxa

Valmir Simões

 

 

 

 

 

As vezes fico fazendo certas comparações entre o meu tempo de infância e os dias atuais. Existia em Itiúba uma velha senhora, por nome Maria Antônia, exímia lavadeira e passadeira de roupa que fazia o uso do Anil para que as roupas da cor branca, realmente ficassem com um branco mais branco, vamos assim dizer. A goma feita em casa servia para dar uma boa aparência à roupa passada. O uso do esparmacete e a parafina serviam para dar caimento e brilho no charmoso tecido de linho diagonal, por demais usado naquele tempo. D. Maria Antônia vivia exclusivamente deste ofício, lavar e passar. Lembro-me bem que quando chegava à nossa residencia, da porta já ia dizendo: - Vão arrumando logo a trouxa. - Nem um cafezinho a senhora não vai querer? Perguntava minha mãe. A pressa era tanta que às vezes não tinha tempo. Ao arrumar a trouxa de roupas, o sabão-massa pintado e o anil, não podiam ser esquecidos.

Nos tempos atuais as possantes máquinas de lavar dão conta do recado, o anil ficou para trás, o sabão em barra virou sabão em pó, contendo poderosos detergentes e alvejantes, que num piscar de olhos tiram as manchas das roupas. Quanto esforço D. Maria Antônia fez para eliminar as sujeiras e nódoas de nossas roupas. O ferro de brasa foi aposentado, mas o elétrico se fez mais presente e está aí vivinho da silva. Se D. Maria Antônia estivesse viva, será que estaria de braços dados com a modernidade ou presa no passado?

 

 

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com