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Saudades do Cinema

Valmir Simões

 

 

 

 

A única diversão na nossa cidade, naquele tempo, era o “Cine-Itiúba” de propriedade do amigo Bertinho. Ele relata em um dos seus contos neste site, com absoluta precisão, que a sobrevida daquela casa de diversão, muito se deve aos heróis anônimos que trabalhavam sem remuneração, que se contentavam em receber ingressos para si e seus familiares. Nunca ajudei em nada, no entanto sempre estava lá batendo papo e conquistando novos amigos. O prédio onde funcionava o cinema tinha problemas no piso e não possuía forração no teto, no entanto, aos poucos, o Bertinho foi dando um aspecto, condizente para o público cativo. Uma das obras que me chamou a atenção foi a forração do teto com flechas de sisal secas e lixadas que deram um aspecto muito legal ao ambiente e, ecologicamente correto, não derrubou árvores, para retirar madeira. O Bertinho visava mais o prazer de servir à comunidade de sua terra natal, tão carente de diversão naquele tempo, do que o próprio lucro do negócio.

Quem foi daquela época se recorda ainda hoje com saudade.

A sirene calou, as enxadas deixaram de repicar as batidas, anunciando o novo filme estampados nas tabelas que eram carregadas pelas ruas. Foram-se os seriados, os filmes de bang-bang, o latido do Rim-tim-tim, o grito do Tarzan e da Chita, “O Jim das Selvas”...

Apagaram-se as luzes, bateram à porta; O cinema acabou.

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com