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Os Trilhos da Meia-Noite

Valmir Simões

 

 

 

 

 

Viva aquele tempo em que as coisas aconteciam por debaixo dos panos e o segredo era guardado a sete chaves. Tudo acontecia em pleno breu, no apagar das luzes. O produto do furto encontra-se, até hoje, inerte, preso sob uma grossa camada de cimento e concreto, em muitas residências e estabelecimentos comerciais construídos na época ou que passaram por reformas. Serviu para o reforço de lastros de caixas d’água de antigos banheiros. Os trilhos da estrada de ferro criavam asas, eram iguais a corujas, só voavam no escuro. Os carregadores de trilhos antes forravam os ombros para o transporte do produto. Os que já passaram para o “andar de cima”, levaram para a tumba o endereço onde os pesados trilhos foram deixados há mais de meio século atrás.

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

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