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Abalos nunca dantes anunciados

Humberto Pinto de Carvalho

 

 

 

 

 

Hoje, em qualquer roda de amigos, a conversa predominante é sobre o aquecimento global. Tudo faz crer que o planeta caminha para a autodestruição. Entretanto, há quem se preocupe com os efeitos catastróficos dos terremotos que causam mundo afora muitas tragédias. Poucos, porém, sabem que o nosso Patropi é entrecortado por quarenta e oitos FALHAS GEOLÓGICAS.


As características observadas nos estados do Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte fazem supor que estavam acomodadas. Acontece que nessas regiões existem duas de bom tamanho que, embora distintas, propiciam abalos sísmicos de média intensidade no Ceará e Rio Grande do Norte. O primeiro que se tem noticia ocorreu no município de Iaçu (RN) em 1808. Depois em Pernambuco em 1811. Em 1903 foi a vez do município de Baturite, no Ceará. E bem perto de nós em 1904 em Senhor do Bonfim e Xique-Xique em 1905. Também, na Bahia de Todos os Santos, em 1915 e 1919, o mar tremeu. O de maior magnitude foi no estado de Mato Grosso em 1955, atingindo 6,2 graus na escala de Richter que vai até dez. Quem detém a segunda colocação desde 1980 com 5,2 graus é o Ceará. Em 2002 o município de São Francisco do Conde na Bahia sofreu pequeno abalo. Este ano os terremotos voltam ao Ceará e foram mais dois com 3,9 e 4,3 graus. Felizmente não causaram mortes, porém, assustou muita gente.


Tudo que relatamos acima é para chegar sem alarde e comentar este assunto. Surpresa ou não, fato é que também temos a nossa FALHAZINHA. A ponta sul começa no local conhecido como Volta da Serra, situado antes do Povoado Picos, percorre duzentos e cinqüenta quilômetros em números redondos. Não se tem notícia que tenha provocado qualquer treme-treme ou sinais sentidos pelos itiubenses. Mas, quem pode duvidar que os tremores em Senhor do Bonfim e Xique-Xique não foram obras da nossa incógnita adormecida há milhões de anos? Difícil é explicar e se fazer compreender, em poucas linhas, esta realidade.


Esta FALHA, como dizem os entendidos no assunto, é estável e não oferece perigo, por estar bem posicionada. Estamos assim próximos de uma FALHA NORMAL. Mesmo assim, não se pode descartar a ocorrência de leves reflexos. No território brasileiro foram encontradas algumas com dez quilômetros de profundidade e com mil quilômetros de extensão. Risco de tremores por aqui é quase zero. Entretanto, não existe lugar completamente sem risco.. Pouco importa o tamanho. Todos os tremores começam nestas FALHAS quando do deslocamento das PLACAS TECTÔNICAS, constituídas de enormes blocos que formam a crosta da terra.

O que se sabe é que são formadas por porções irregulares. São antigas e frágeis. Podem se romper ao tocar em outra, quando então liberam enorme quantidade de energia, com grande poder de destruição provocando tsunami, erupção vulcânica, maremoto e terremoto.


O estado da Bahia é cortado por quatro FALHAS: uma que acompanha o lado esquerdo do Rio São Francisco, corta a divisa de Minas Gerais e se aproxima do litoral em direção ao recôncavo. A outra ultrapassa a divisa de Sergipe. E finalmente a “nossa” que segue rumo norte, mas, não chega às águas da represa de Sobradinho.


A placa Sul-Americana, sobre a qual repousa o Brasil, esteve e está sempre sob tensão lenta, porém, sujeita a ruptura brusca ao longo do traçado das FALHAS GEOLOGICAS. É o processo de acomodação que ativa os abalos sísmicos. Os grandes abalos são localizados nas fronteiras das PLACAS maiores, como na Cordilheira dos Andes que está sobre as Placas Nazca e a Sul-Americana. O que faz a diferença são os contextos locais, continental e global e a dinâmica da crosta terrestre quando desloca grandes massas. Difícil é saber como e onde um terremoto surgirá. Não obedece à razão. A ciência trabalha com precisão para selecionar os locais sujeitos aos fenômenos chamados naturais. Felizmente não estamos localizados nas áreas críticas de alta incidência.

Tudo no planeta está se movendo. A Natureza está viva. O nosso chão abençoado por Deus não merece essas tragédias.

 

 


Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho

fpcarvalho@globo.com