Dentifrício Natural

Valmir Simões

 

Ainda tenho boas lembranças do leite quentinho, tirado na hora do peito da vaca, no curral que o Sr. Valadares mantinha ao lado da estação.

O Berega (vaqueiro) dizia-me: - Bote um pouquinho de farinha no copo que escalda na hora. Ficava uma beleza, como se fosse um fino mingau. Essa mistura era chamada de “Zupí”.

A mulher do Berega, alta, magra, chegava com o filho Candonga escanchado em um dos lados de seu corpo e seguro com uma das mãos, na outra, um caneco grande para levar o leite do menino. Deixou o Candonga do lado de fora da cerca e, com uma vara, deu pancadas nos galhos do frondoso juazeiro que margeava a cerca do curral, algumas folhas caíram e ela lavou-as dobrou-as e começou a esfregá-las nos dentes, provocando muita espuma. Eu perguntei para que ela usava as folhas de juá passando-as nos dentes e ela me disse que onde tem folha de juazeiro pobre não compra pasta de dente.

Verdade, crescendo e aprendendo. Lições de vida.




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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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