Naquele Tempo

Valmir Simões

 

 

 

Quando eu tinha meus 15 anos, na flor da idade, não passava na minha cabeça nada que lembrasse a velhice, no entanto, os anos passam tão depressa que não percebemos e “Olha ela aí”. por esta razão começo a refletir coisas do passado, vêm as lembranças do tempo de menino, das peraltices. Com toda a modernidade dos nossos dias, tenho saudade daquele tempo.
Os filhos respeitavam os pais, tomavam a bênção no acordar e no dormir, bebiam e fumavam as escondidas. Eu sou do tempo do cascudo e cocorote, da surra de cinturão, do castigo do cinema, do amarrar no pé da mesa. Quem era louco de desobedecer? Os direitos do menor? Não existiam naquele tempo. Ah! Nos dias atuais nossos pais estariam trancafiados ou prestando serviço gratuito á comunidade.
Sou do tempo que se tomava banho na chuva e não se gripava, cortava ou furava o pé com espinho ou prego e não tomava vacina antitetânica, se arrancava dente de leite com linha de carretel. Sou do tempo do telégrafo, da máquina de moer carne, do lampião de gás, da calça com braguilha de botões, do suspensório, do canivete capa garrote, da calça de nycron e camisa Banlon. Sou um Itiubense saudosista, em pleno século XXI.


 



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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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