RUAS COM NOMES EXTRAVAGANTES

Humberto Pinto de Carvalho

Qualquer pessoa que visite Itiúba logo pergunta sobre as origens dos nomes de determinadas ruas. Quase sempre não são do conhecimento geral as razões que levaram os antigos moradores a preferirem os nomes: RUA DO GALO ASSANHADO – RUA DO FATO – RUA DA MATANÇA. Pode se supor que a do Galo Assanhado partiu de alguma brincadeira. Galo arrepiado, com certa ironia, ainda se pode aceitar. A do Fato tem dois sentidos: era a Rua das FATEIRAS, mas, o visitante pode pensar que aconteceu algum fato digno de nota. Quanto à da MATANÇA, esta conduz a uma afirmativa chocante. Matança de quem? Por quê? Quem por lá morreu? Quando há tempo para esclarecimentos fica claro que é apenas a rua paralela ao Curral de Gado para abate. Outras ruas mostram significados jocosos, mas justificáveis, como: RUA DO ALTO DO VINTÉM – RUA DO CHAMEGO – RUA DO CORTE – RUA DA BOCA DO CORTE – RUA DOS CAMBECAS – RUA DO CALUMBI – RUA DO TANQUE – RUA DA USINA – RUA DO CEMITÉRIO – RUA DA CACIMBA-FUNDA – RUA DO CRUZEIRO – RUA DA ESTAÇÃO – RUA DA FACA – RUA DO VIRA-MUNDO – RUA DAS PIABAS - PRAÇA DO VAQUEIRO – PRAÇA NOVA – PRAÇA DA IGREJA. Mesmo assim, como explicar a razão de algumas: Rua do Chamego – atual Rua dos Artistas. Por sua localização atrás da Igreja Matriz, nos idos tempos, moravam as “mulheres damas” que provocavam festas externas, com danças sensuais; Rua do Corte – o nome chegou por ter sido edificada paralelamente aos trilhos da ferrovia, fixados na escavação a céu aberto e dar passagem ao trem; Rua da Boca-do-Corte – tem a mesma origem. O acréscimo “Boca” tem como razão o fato das casas ficarem quase na entrada da fenda; Rua dos Cambecas – não se tem uma firme convicção, mas, por lá morava uma família, todos com traços finos, brancos, de olhos azuis, que devem ter causado inveja pela sua beleza e retidão. Deviam descender de países europeus, com sobrenomes de difícil pronúncia. Daí a corruptela, que não gostavam; Rua da Usina – era o local onde se encontrava o motor-gerador de energia elétrica, que iluminava toda cidade; Rua do Catumbi – não era simples rua e sim um Bairro, que com a urbanização e aberturas de novas ruas continua conhecido como o Calumbi; Rua do Tanque – assim se chamava a ampla Praça com o “Tanque da Nação” no meio e ao lado do prédio da Prefeitura Municipal. Hoje, ocupada com o edifício do Fórum local, é entrecortada pela Rua Joviniano Carvalho; Rua do Vira-mundo – fica ao lado da Estação da Rede Ferroviária e recebeu este nome por existir, para manobras das então máquinas do trem a vapor, um círculo com nível adequado, com uma espécie de carreta com rodas de ferro que, ao receber a locomotiva, girava movido a força braçal; Rua das Piabas – um novo bairro, na saída da cidade, em direção ao asfalto para a rodovia Feira de Santana-Juazeiro. O nome piabas é por ficar próxima ao Açude do Jenipapo onde eram expostas as piabas pescadas para secar e salgar; Rua da Faca – era a principal entrada das tropas de jumentos e mulas procedentes da região de Monte Santo e que traziam ouricuri, mamona, rapadura, feijão, milho. Parada obrigatória para descanso dos seus condutores. Quase sempre havia brigas que terminavam com facadas.
As demais são coerentes. Agora está faltando aos itiubenses espirituosos encontrar e batizar os novos logradouros públicos com nomes alusivos aos acidentes geográficos, acontecimentos pitorescos e, quem sabe, algo que possa melhor compreender alguns aspectos dignos de nome de ruas e praças

 

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