Quarador de Roupas

Valmir Simões

 

 

 

Naquele tempo as pessoas mais humildes da nossa cidade, tinham o hábito de lavar as suas próprias roupas ou de terceiros (Lavagem de Ganho), próximo de fontes ou cacimbas, mesmo porque não tinham tanto trabalho para carregar a água, ali mesmo lavavam e quaravam.
Sabão em pó não existia naquela época, ou era sabão em barra, ou na base do sabão de soda e sebo que era vendido na feira livre da cidade, que por sinal este sabão tinha um cheiro horrível, pois era preparado artesanalmente em aribé de barro. A velha Cassemira era uma exímia fabricante deste tipo de sabão.
Amaciantes, aromatizantes, que nada, ninguém sabia o que era isso. O anil tinha presença garantida, na roupa branca, era enrolada uma pedrinha deste em um pedaço de pano e mergulhado na bacia, juntamente com as roupas, exclusivamente brancas. Um dos pontos mais freqüentados pelas lavadeiras de Itiúba era a Laje Grande, primeiro pela extensa área de pedra, onde todas podiam estender as roupas à vontade, segundo pela abundância de água, a Cacimba Funda estava logo no sopé.
Quem nunca viu roupa apanhar, ser surrada? Eu já vi, acredite. Certas lavadeiras depois de passar sabão em roupas bem grossas batiam com força de encontro à pedra, depois com as duas mãos esfregavam bem e colocavam na laje para quarar. As enormes bacias, sempre tinham além do próprio, um reforço em madeira grossa, para não furar com facilidade. Saiam cedo de suas casas e somente à tardinha regressavam com a roupa enxuta na bacia e esta na cabeça, protegida por uma rodilha de pano. Era um trabalho árduo, muitas delas tinham vários anos trabalhando desta forma para inúmeras famílias, para trazer o pão de cada dia para dentro de casa. Algumas apenas só lavavam outras lavavam e passavam. Um trabalho redobrado, mas, feito como muito zelo e dedicação.



 



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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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