O Motorzinho Quebra-galho

Valmir Simões

 

 

 

Quando o velho Caterpilar não agüentava o tranco, a nossa velha Itiúba ficava às escuras. Entrava em cena a equipe: Antônio Mota, Juvininho e, às vezes, o João Três Quinas. Montavam e desmontavam o velho motor quase de olhos fechados, em razão da convivência e labuta do dia a dia. Eu, particularmente, acreditava mais nas “mãos milagrosas” do Juvininho. A cidade estava toda iluminada, de uma hora para outra, ih! deu prego. Mais uma vez a escuridão tomava conta de tudo.
Como o prevenido morreu de velho, o amigo Bertinho, proprietário do Cine-Itiúba, tinha uma carta na manga, exatamente para essas horas. Um pequeno motorzinho movido a gasolina ficava sob uma cobertura, descansando lá nos fundos do quintal do prédio do cinema, a inteira disposição. Era daqueles “Triscou Pegou” e lá estava restabelecida a iluminação do cinema para a continuação do filme. Era um motorzinho danado, dava conta do recado direitinho. Recentemente me lembrei dele, pois ficava coladinho ao muro da venda de meu pai e obtive boas noticias. Depois de tanto tempo ainda permanece com o mesmo proprietário. Já não trabalha mais, está aposentado em um cantinho de uma de suas propriedades. O velho Caterpillar e o motorzinho desempenharam as mesmas funções e hoje em dia cada um se encontra no seu cantinho, descansando. Engraçado! Como é a vida. O ser humano e as máquinas dão tudo de si e um dia se aposentam.


 



IR PARA O ÍNDICE DAS CRÔNICAS DESTE AUTOR
IR PARA O ÍNDICE POR ASSUNTO
IR PARA O ÍNDICE POR AUTOR
IR PARA O ÍNDICE GERAL

 

Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


fpcarvalho@globo.com