A Formação da Cultura Itiubense

Fernando Pinto de Carvalho

 

 

 

As características humanas que não são inatas e sim criadas, aprimoradas e preservadas através da comunicação e cooperação em uma sociedade, formam aquilo que chamamos de cultura.

Tentarei aqui falar sobre alguns acontecimentos, entidades, organizações e pessoas que contribuíram para a formação da cultura do povo de Itiúba.

A formação da cultura itiubense certamente começou quando os primeiros portugueses, oriundos da Casa da Torre, chegaram à Serra de Itiúba e por lá se estabeleceram. Como era costume na época, logo construíram a Capela de São Gonçalo do Amarante para a devoção dos seus familiares e para doutrinar os poucos indígenas que lá permaneceram depois da chegada dos novos “donos” das terras.

Logo abaixo, no sopé da Serra de Itiúba, havia a Fazenda Salgado pertencente ao Sr. João Gomes da Silva onde mais tarde formou-se um povoado que viria a transformar-se na cidade atual. O processo de povoação foi acelerado com a chegada dos trilhos da estrada de ferro em 1887. A primeira casa lá construída, pela Srª Yaiá Bebé, por volta do ano de 1870, permanece de pé e bem conservada, bonita e habitada até hoje, apesar dos seus quase 140 anos de existência, graças aos cuidados dos descendentes de D. Yaiá.

Na nova povoação, no período de 1880/1890, foi construído o prédio da Igreja Católica, reformado em 1936 quando passou a ter a aparência que conhecemos hoje. O templo recebeu o seu primeiro pároco, Padre Firmino de Souza Estrela, em 1886.

Assim iniciou-se a formação da cultura itiubense, com portugueses aventureiros e destemidos procurando riquezas, índios pataxós e cariacás submetendo-se à dominação dos colonizadores ou fugindo dela, fazendeiros criando gado em terras até então inexploradas e, ainda, poucos negros escravos obrigados a prestar serviços aos senhores donos das terras. Tudo sob a onipresença da Igreja Católica.

O povoado se desenvolveu, transformou-se em Freguesia sobordinada a Senhor do Bonfim (1868), depois passou a pertencer ao município de Queimadas, vindo a emancipar-se em 1935. Neste mesmo ano o Sr. Belarmino Pinto de Azeredo foi eleito prefeito e em 1936 foi instalada a primeira Câmera de Vereadores.

Citarei, a seguir, alguns órgãos, obras, instituições e pessoas que, de alguma forma, contribuiram para a cultura itiubense:

Órgãos e Instituições:

A 2 de Julho (1924) - Uma sociedade recreativa que era o ponto de encontro da alta sociedade local que tinha filarmônica e amplos salões de festas.
A Escola Góes Calmon (1926) foi responsável pelos primeiros passos na educação de quase toda a população da cidade
O Cinema (1936) - Um ano após a criação do município um cinema moderno com instalações preparadas para apresentação de shows e peças de teatro já estava funcionando.
Jornal O Itiubense – Não tenho muitas informações sobre esse órgão de imprensa pioneiro na cidade mas, ele merece ser aqui citado e complementarei com novos dados, quando isso for possível.
A Rádio Cultural (1949) - Serviço de alto-falantes que além de divulgar as músicas que eram sucessos no momento, promovia programas de calouros, debates, etc.
A Fazenda do Estado - De alguma maneira transmitiu cultura aos agricultores locais ao ensiná-los a melhorar os seus rebanhos de ovinos e caprinos, aumentando a produção
O Açude de Camandaroba – Contribuiu ao instalar na sua sede equipamentos modernos e ao ensinar aos moradores que lá prestaram serviços novos métodos de trabalho, além de trazer para o município técnicos formados e preparados que lá passaram a residir e alguns lá casaram e constituíram famílias.
O Ginásio Municipal. veio para complementar o belo trabalho, já comentado, da Escola Goes Calmon
A energia de Paulo Afonso (1982)

Pessoas

Belarmino Pinto de Azeredo – Primeiro Prefeito que depois foi reeleito várias vezes, pela posição e respeito que era merecedor por parte das autoridades estaduais, conseguiu construir prédios escolares por todo interior do município.
Wagner Mello Santos e Antônio Simões Valadares – Prefeitos voltados para o progresso e para a melhoria cultural do município. Na gestão do Sr. Antônio Valadares foi criado o Ginásio Municipal.
Hilda Mendonça, Celina Mendonça, Francina Araújo e Lygia Mutti – Professoras cultas e competentes lembradas pelos seus alunos até hoje.
Manoel Pinto Primo – Instalou indústrias que deu empregos a muitos itiubenses, construiu o moderno prédio do Cine-Teatro Ideal comprou equipamentos e passou a exibir filmes numa época em que apenas capitais e poucas cidades grandes podiam desfrutar desse prazer.
Robério Azeredo – Participante das atividades culturais locais, escreveu livros sobre Itiúba que até hoje são consultados e admirados.
Hildete Rodrigues e Antônio Rodrigues participaram das atividades dos órgãos de cultura e escreveram crônicas e artigos divulgados na Rádio Cultural.
Sandoval Manciola – Foi um dos primeiros Diretores da Rádio Cultural, criou uma biblioteca franqueada ao público na sede da Agência de Estatística , onde trabalhava, e escreveu crônicas e artigos para a Rádio Cultural.
Humberto Pinto de Carvalho – Quando quase nenhuma publicação cultural chegava lá devido as dificuldades de transporte e, também, ao baixo poder aquisitivo do seu povo, ele assumiu a representação da Revista O Cruzeiro que era a melhor do Brasil e a fazia chegar semanalmente às residências de muitas famílias itiubenses. Adquiriu, reformou e fez funcionar por muitos anos o cinema local, onde eram exibidas as melhores produções cinematográficas. Quando o receptor de rádio à pilha surgiu ele começou a adquirir em São Paulo kits de peças para montar centenas de aparelhos que eram vendidos quase a preço de custo, com o intuito principal de espalhar a novidade pelos lares itiubenses. Ao assumir importante cargo no Ministério da Fazenda conseguiu empregos para muitos itiubenses na capital do Estado, onde eles eram treinados, estudavam e se desenvolviam.
Na música podemos citar como destaques os maestros João Cosme, Mestre Bugué , Evilásio Mendes e, mais recentemente, o Egnaldo Paixão.

Famílias

É claro que as primeiras grandes famílias, como a Simões, a Pinto, a Freitas, a Carvalho e outras, deram o sentido de direção da trajetória da formação cultural local mas, esse assunto requer longo espaço e deverá ser desenvolvido em outra oportunidade.

A cultura dos indígenas que moravam em Itiúba, por ocasião da ocupação, não deixou muitos registros, talvez pela rapidez do seu desaparecimento ou até pela catequese imposta pelos brancos. O nome da cidade, contudo, tem a sua origem atribuída a língua indígena e alguns dizem que originou-se de tuyba que em tupi-guarani significa “abelha dourada” . Outros ainda dizem que a sua origem vem de “Ita-Uba” que em indígena significa “água da pedra” para alguns e “pedra e pau” e “canoa de pedra” para outros.

Cultura é um assunto vasto que requer um espaço muito grande e o sistema adotado pelo site não permite longos textos. Também, por falta de conhecimentos do cronista, muitos fatos e muitas pessoas que contribuíram para o engrandecimento da cultura itiubense aqui não foram citados. Pedimos desculpas e quando for possível voltaremos a falar sobre o assunto.


 




 



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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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