A Fazenda Capoeira

Valmir Simões

 

 

 

Ainda garoto montava na garupa de uma mula que sabia de cor e salteado o caminho certinho da Fazenda Capoeira. Na maioria das vezes a rédea tinha o controle do meu saudoso Tio Dão, um tio amigo, em todas as circunstâncias. Um badogue e capanga com bolinhas de barro como munição, fazia parte dos meus apetrechos. A Casa Grande tinha uma parte de assoalho com grossas tábuas. No resto da casa, mais para os fundos, o piso era forrado com partes de cascas de pedras. Um paiol de milho ficava ao lado da sala a qual tinha uma grande mesa (estrado) e era feita em madeira de qualidade. Abaixo do assoalho uma senzala ainda em perfeitas condições, com tronco (pelourinho). Uma centenária fonte de água brotava por debaixo de um grande bloco de pedra, e diversos olhos dágua eram encontrados entre as pastagens e árvores frutiferas, como bananeiras, mangueiras, abacateiros etc. Na parte mais alta, um verdadeiro contraforte de imensos lajedos davam guarida a mocós os quais, de vez em quando, eram abatidos por meu tio Dão através da famosa espingarda Lazarina. Imensas Jaboticabeiras ornamentavam o sopé dos lajedos. Bebidas de Juritis eram encontradas em locais das fontes de água. Uma grande Casa de Farinha ao lado da Casa Grande ostentava a sua rusticidade, com piso em lajes de cascas de pedras, o telhado exibia ripas e telhas antigas, porém de uma durabilidade notada pelo decorrer de tanto tempo de sua construção. A Fazenda, até quando conhecí, tinha as suas ótimas pastagens costumeiramente alugadas, em regime de rotação, para engorda de gado. Esse tempo me traz até os dias atuais muitas lembranças.

 




 



IR PARA O ÍNDICE DAS CRÔNICAS DESTE AUTOR
IR PARA O ÍNDICE POR ASSUNTO
IR PARA O ÍNDICE POR AUTOR
IR PARA O ÍNDICE GERAL

 

Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


fpcarvalho@globo.com