Os Homens da Capa Preta

Hugo Pinto de Carvalho

 

 

 

Os garimpeiros, como eram conhecidos os serventes encarregados da vigilância e manutenção das linhas da velha Estrada de Ferro Federal Leste Brasileiro (EFFLB) em Itiúba, além do fardamento próprio de brim de mescla azul e botas de couro, recebiam também uma legitima capa “Colonial” de cor preta fabricada com o melhor feltro do Rio Grande do Sul para se protegerem da chuva durante o inverno e as trovoadas, porém como suas medidas eram baseadas na média de altura dos gaúchos, muito mais altos do que os nordestinos, isto causava alguns transtornos aos abnegados trabalhadores que, ao usá-las, percebiam que as mesmas ficavam arrastando, ou queimando o chão, como eles próprios diziam, e o pior, eram proibidos de modificarem a tal capa, pois não lhes pertenciam.

Eu me lembro que o Sr. Manoel Roxinho, por ser até mais baixo que os demais, sua capa “queimava o chão” mais do que nos dos demais colegas, e por isso era alvo de brincadeiras por parte dos amigos que costumavam aperrear o dedicado trabalhador com ditos como “O capote tá queimando seu Manoel...), mas ele nem ligava. Porém, quando o Banduca, proprietário do armazém que era um dos fornecedores de gêneros alimentícios da categoria, e pelo qual todos tinham um grande respeito, tentou repetir a brincadeira com o Sr. Manoel Roxinho, e ele surpreso, retrucou, “até o senhor seu Banduca???.




 




 



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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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