Ninguém Esquece

Humberto Pinto de Carvalho

 

 

 

A minha primeira viagem por estrada de rodagem e sem asfalto até a Capital do Estado aconteceu na boléia de um caminhão, carregado com sacos de mamona. Saímos de Itiúba às seis horas da manhã via Povoado da Pedra Vermelha, Cansanção, Monte Santo, Cumbe, hoje Euclides da Cunha, Tucano, Serrinha, Feira de Santana. Chegamos as dezoitos horas em Serrinha para pernoitar. Éramos somente três. Eu, Mestre João chofer e o ajudante. Nesse percurso gastamos doze horas porque não era época das chuvas. Quando acordamos às cinco horas da manhã para tomar café à dona da pensão avisou, que não tinha leite e manteiga e a razão era a sua geladeira a querosene, que apagou na madrugada e descongelou estragando tudo. Fomos para o caminhão e mais um problema com um pneu furado. O macaco disponível não suportava o peso com a carga. Todos os sacos e outras talhas foram colocados no chão para retirada do pneu. Borracharia perto não havia. Procuramos uma maneira de transportar o pneu e só encontramos uma carroça puxada a burro para conduzir o traste. Restava então esperar que o borracheiro esquentasse o velho “ferro-de-engomar” cheio de brasas para remendar a câmera de ar. Lá se foram quatro horas perdidas. Como viajar naquelas bandas tudo era difícil, para não passar fome e sede pedimos na pensão para preparar uma boa farofa com carne-seca. Para chegar a Feira de Santana foram quase cinco horas. Por precaução resolvemos dormir num Posto, que vendia a gasolina retirada dos tonéis, com uma mangueira que sugava o liquido para uma lata de vinte litros, que depois era despejada com um funil no tanque do caminhão. Noite bem dormida. Cedo a verificação dos pneus para alegria de todos estava a contento. Partimos de Feira de Santana as sete da matina. Passamos por dentro da cidade de São Sebastião do Passé para abastecer e comer uma gororoba de beira de estrada. À tardinha chegamos a um ponto chamado Jaqueira na entrada da Capital. Novo abastecimento e subimos a ladeira para topo do bairro de São Caetano. Descemos até o Largo do Tanque e logo chegamos ao bairro chamado Calçada para descarregar o caminhão e tranqüilizar os três, prontos para retornar a Itiúba, com nova carga de açúcar cristal, farinha de trigo, charque e querosene acondicionado em galões. E, o melhor aconteceu. Por ordem do proprietário do caminhão, senhor Belarmino Pinto, foram trocados os pneus e câmaras de ar para alegria e segurança no retorna para casa e poder contar para os amigos o acontecido com final feliz.


 


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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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