A Morte do Trem

Valmir Simões

 

 

 

A Rua da Estação era o palco, o trem o artista, os passageiros eram os figurantes. Tudo isso era motivo de alegria das pessoas, no ir e vir, para presenciar a chegada e partida do trem e o movimento das vendedoras de guloseimas da nossa terra. Cuscuz, milho verde, mucunzá, mingau de tapioca, arroz-doce em copo, café, etc. Ninguém ficava sem ganhar uns trocados. Muita saudade guardada na lembrança daqueles que viveram na época. A estação era pequena para tanto movimento. Quem não se lembra da sala de espera? Nos nossos dias seria Vip. Testemunhei várias chegadas e partidas levando e trazendo passageiros. Quando indagados para aonde iam, respondiam quase sempre: - Vou prá Bahia, e, felizes e sorridentes, embarcavam com destino a capital do estado (Salvador). Por ter morado tão perto da estação, não tenho como esquecer esses momentos. A vida é assim, cheia de saudades, lembranças, bons e maus momentos. Morreu o Trem, um dia morremos nós.

 


 


IR PARA O ÍNDICE DE CRÔNICAS DESTE AUTOR
IR PARA O ÍNDICE POR ASSUNTO
IR PARA O ÍNDICE POR AUTOR
IR PARA O ÍNDICE GERAL

 

Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


fpcarvalho@globo.com