A Moita de Guiné

Valmir Simões

 

 

 

Assim como algumas pessoas colocavam galhos de pinhão-roxo ou espada-de-ogum dentro de garrafas de água para espantar a inveja e o mau olhado, meu pai, lá no armazém, no fundo do quintal, cultivava, com todo carinho, uma moita de guiné, também conhecida como gambá, acredito que o segundo nome era em razão do mau cheiro incrível e que se assemelhava ao animal gambá, quando desprendia um esguicho da urina contra os inimigos que lhe atacavam. Raízes e folhas da guiné em infusão na cachaça, assim diziam era um santo remédio contra doenças reumáticas e um ótimo depurativo sanguíneo, servia também como fecha corpo, protegia contra mau-olhado e para derrubar mandinga, etc. Será que era em razão de tudo isso, que o meu pai dizia que sempre estava de corpo fechado? Ah! Por isso ele tinha tanto zelo pela moita de guiné, pois a molhava todos os dias. Vivendo e aprendendo.

 


 


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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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