Galos e Canários de Briga

Valmir Simões

 

 

Antigamente não existia nenhum órgão que defendesse os animais, os coitados ficavam entregues à própria sorte. Claro, na nossa Itiúba não era diferente. Aos domingos era muito comum ver pessoas que desciam do Alto (Bairro da cidade) trazendo debaixo do braço um robusto galo de raça, como se fosse o melhor dos melhores. Pescoço pelado, penas das coxas arrancadas, crista levantada, bico e esporões afiados, um lutador pronto para o combate, sendo que muitas vezes, com todos estes predicados, não empunhava a bandeira da vitória, voltava com a derrota estampada no papo pescoço e cabeça, uma feição de perdedor. Conheci muitos amigos daquele bairro que eram apaixonados em criar galos de briga, na maioria deles eram açougueiros ou filhos destes, uma paixão que realmente passava de pai para filho. Outros criadores eram do Calumbi, Praça Nova, Dos Cambeca, Centro etc. As apostas corriam soltas. Assim como os criadores de galos, os criadores de canários da terra também eram apaixonados pelas brigas dos pássaros e quem saia vencedor no embate, na maioria das vezes, tinha o seu preço valorizado.

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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