Verdades de uma Época

Humberto Pinto de Carvalho

 

 

Pode até ser saudade, mas, acho que é apenas nostalgia de uma época, que as crianças eram repreendidas com rigor. Umas palmadas de mãe sempre foram e serão esquecidas. Fica apenas a lembrança que ela tinha razões de sobra para repreender. Também reconhecemos nossos erros. Em compensação tínhamos à noite com ou sem lua. Era um espetáculo único no céu. Hoje as luzes da cidade roubam o brilho das estrelas e apagam o encantamento do olhar sem compromisso das crianças ao contemplar os pontos cardeais acima dos contornos das serras de Itiúba. Passamos a enxergar sem querer alguns sinais que pode elevar a paz interior.

Certeza que muitos duvidam é que não conhecemos nada do futuro próximo ou distante. Cada uma escreve o seu inconscientemente.

Bom é saber que temos orgulho de ser itiubense e de sua história, que faz esquecer o medo da velhice, que tem por base a fragilidade do ser humano, que carrega nas costas o pecado se ter nascido sem pedir e que agora alimenta o medo de ficar só sem saber o que existe de real do outro lado da vida.

Fazemos parte de uma trajetória acidentada e nada mais. Certas coisas que sabemos pertencem ao terreno dos mistérios. O tempo é permanente, que passa lentamente sem estressar ninguém. Somos nós aqui e agora os estressados inconscientes motivados por algo inconsistente e muitas vezes sem razão alguma. Vale pensar no estilo sutil de vida daquele tempo de menino, que cada um construía sua história de fracassos e sucessos. O limite entre o real e o imaginário é tênue e foge para não ser entendido. Mesmo assim vale catar aqui e acolá os pedaços da historia

Contudo é bom se cuidar para não passar a eternidade com simples relíquia familiar.

 

 

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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