As Barbearias

Antônio Ricardo da Silva Benevides

 

Elas são redutos exclusivamente masculinos e poucas ainda sobrevivem a invenção dos modernos e luxuosos salões de beleza. É nas barbearias que os homens, principalmente os aposentados se reúnem para discutir os seguintes temas: vida alheia, política, religião e futebol.
Na minha terra de Itiúba, nos anos 60, existiam apenas quatro barbearias, são elas: Antônio do Inocêncio, que também fabricava barris de madeira  para o transporte de água  em lombos de jumentos; seu Pedrinho, um local muito visitado pelas crianças acompanhadas dos seus pais, que ao sentarem na cadeira, eram torturadas pelo velho barbeiro  que cortava cabelos com máquina zero, repuxando os sensíveis couros cabeludos da garotada, eu confesso que fui vítima também, pois, eu era obrigado a usar o topete da moda: Antônio Berro Grosso, além de barbeiro era um exímio jogador de dama e,  por esta razão,  sua tenda era freqüentada pelos aficionados pelo jogo de dama e, finalmente, seu Ezequiel, que também era sapateiro.
As barbearias eram decoradas com páginas da revista O Cruzeiro, principalmente as estórias do Amigo da Onça, e fotos dos times de futebol, retiradas da Revista do Esporte, coladas nas paredes.
 Os cortes de cabelo e barba eram os mais variados, desde os cortes militares, passando pelo maracanã, as costeletas estilo Elvis Presley, os cavanhaques estilo Lindomar Castilho, os bigodes estilo Hitler, os bigodes fininhos, quase invisíveis e os bigodes tipo o Bigodão, de Jacurici da Leste.
O que mais me chamava a atenção eram as afiadas navalhas suíças, que também eram utilizadas pelas raparigas em suas desavenças, aos sábados, no Beco da Faca.

 

 

 

 

 

IR PARA O ÍNDICE DE CRÔNICAS DESTE AUTOR
IR PARA O ÍNDICE POR ASSUNTO
IR PARA O ÍNDICE POR AUTOR
IR PARA O ÍNDICE GERAL

 

Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


fpcarvalho@globo.com