Excesso de Zelo

Valmir Simões

 

 

 

 

Quando a nossa querida Itiúba não tinha energia elétrica durante o dia, as pessoas tinham dificuldade de conservar os alimentos. Ovos ficavam expostos na cozinha, sem nenhuma refrigeração, e costumavam  apodrecerem (ficar goros), as carnes salgadas e toucinho tinham lugar cativo sobre uma cordinha que passava de um lado a outro da parede de um local chamado despensa que a maioria das casas possuíam com a finalidade de guardar gêneros alimentícios. Aos poucos, algumas casas passaram a ter  geladeira a gás (querosene), a marca Frigidaire curvilínea era a mais preferida. Curvilínea em razão de possuir os cantos arredondados. Certo dia a noite cheguei com meus pais a casa de um parente e, em razão da distancia da nossa residência e mesmo sendo noite, fazia muito calor, e fomos logo pedindo água, Surpresa? Lá estava uma Frigidaire, novinha em folha, ainda com o plástico por cima. Meu pai disse: - Já está, funcionando? Responderam: - Sim. - Com o plástico por cima?, perguntou meu pai. - É prá não pegar poeira, quando queremos abrir, subimos na cadeira e puxamos o plástico, depois colocamos novamente no lugar. Responderam.  Ficamos espantados com tanto zelo, mas soubemos que desistiram poucos dias depois em razão da gozação, que os parentes fizeram. Era melhor abandonar o excesso de zelo, do que ficar doente de tanto subir e descer da cadeira. Na verdade era um parente fominha, que só vendo

 

 

 

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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