Matando o tempo e a mosca

Valmir Simões

 

 

 

 

Naquele tempo a nossa cidade não tinha trabalho suficiente para seus filhos, como resultado desta situação muitos foram a procura em outros estados ou em cidades maiores que a nossa. Os pais que possuíam algum tipo de comércio procuravam segurar os seus no próprio ambiente comercial. No meu caso, eu ficava no decorrer da semana, pela manhã, na escola de D. Juju, tia do meu amigo Djalma dos Anjos, e, à tarde, no armazém de meu pai. Como o maior movimento era aos sábados, na semana, quando não tinha freguês, eu colocava sobre o balcão uma folha de papel manilha (papel de embrulho) e espalhava açúcar sobre o mesmo, logo de imediato as moscas começavam a pousar e com uma fina borracha eu ia eliminando uma a uma, esticando-a e disparando contra elas. Era nojento? Sim, mas para mim, estava matando o tempo e as moscas. Coisa de criança, daquele tempo.

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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