Pescador de Caçote

Valmir Simões

 

 

 

 

Cacimbas cheias, águas barrentas, e um menino com vara de bambu e anzol de alfinete, era eu que não deixava um caçote em paz, uma brincadeira de maltrato, com o pobre animal? A intenção era outra, transformá-lo em isca para as traíras, piabas e jundiás, já sob a orientação do Zé Querino, indo a pé em direção ao Coité, com a capanga com vários tipos de anzóis encastoados e uma longa vara com uma pequena boia, de cabaça, com fina linha de prumo de pedreiro. Íamos cedo da manhã e o almoço na marmita  era farofa com carne assada em cubinhos, arroz um pedaço de rapadura e um caneco de alumínio, eu adorava este tipo de coisa, tudo acomodado dentro de um bocapio, era muita simplicidade. Ele costumava dizer com a mão abanando a gente não volta, sempre trazia peixe.  Foi um exímio pescador, apoiava e mergulhava o anzol entre as folhas de golfo sempre trazia uma novidade. Cada caçote era transformado em várias partes, e estas em iscas frescas para aguçar o apetite dos peixes.

 

 

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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