Sanfona do Fole Cheiroso

Hugo Pinto de Carvalho

 

 

 

 

O Quincas, comerciante e proprietário de um velho caminhão dirigido por seu filho “Chincha”, que fazia o transporte de passageiros e cargas para as feiras livres dos povoados, gostava também de tocar uma velha sanfona. Quando soube que o Neném Góes era proprietário de uma loja de instrumentos musicais (a Casa Góes) no Rio de Janeiro, encomendou ao mesmo que quando viesse a Itiúba trouxesse uma grande e moderna sanfona para ele. E aí, quando recebeu o reluzente e bonito instrumento na cor vermelha com teclado branco e aros cromados, ficou mais admirado ainda ao descobrir que o fole exalava um odor agradável, talvez proveniente de um produto de conservação aplicado pelo fabricante e, por isso, ele só tocava a sanfona abrindo um terço da capacidade do fole, e nunca em sua totalidade, para não perder o cheirinho de novo como ele mesmo dizia.

Não foi sem motivo portanto, quando o Dario – irmão do Góes – em visita a cidade, e acostumado a manusear e tocar os instrumentos da loja para testá-los, tentou ensiná-lo alguns toques abrindo ao máximo o fole para uma melhor sonoridade, que o Quincas ficou todo contrariado, e nunca mais permitiu que ninguém pegasse em sua sanfona. Nem mesmo o Dario.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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