A Laje Preta

Valmir Simões

 

 

A calçada da estação, ainda estava morna, em razão da exposiçao do sol durante o dia. Alí juntamente com vários amigos, até altas horas da noite, o tempo passava sem que fosse percebido o horário apropriado para o sono. Cada um contava suas estórias, geralmente de monstros, almas do outro mundo, assombrações de todo tipo. João Martins, um baú de recordações, das muitas estórias que maquinistas e guarda freios lhe contavam. O maquinista, vinha conduzindo a máquina, ali sentadinho em sua cabine, mas com o olhar voltado para a linha férrea, e o guarda freios vinha em cima do vagão sentado em uma cadeirinha, tendo ao seu lado um volante para frear, ou amenizar a velocidade em certos trechos da linha férrea. As estória mais cabeludas entre o trecho de Itiúba para Serrinha, acontecia na subida da laje preta, só em pensar era dos cabelos ficarem em pé. O trem subia a laje preta quase parando, e não podia nem respirar direito em razão do cheiro de chifre queimado, que permanecia por longo trecho. O medo era tanto que para onde olhava achava que estava vendo alguma coisa,ex: mulher vestida de branco correndo na frente do trem, sem tocar nos trilhos, zumbido nos ouvidos, farol de máquina que vinha de encontro ao trem, miados etc. Para muitos a laje preta era um pedaço do inferno. Acredito que até os dias atuais aquele lugar mete medo a muita gente.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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