Abafabanca

Antônio Ricardo da Silva Benevides

 

 

Até os anos 60 existiam poucas geladeiras nos lares de Itiúba. Como a energia elétrica era gerada através do velho motor da marca Carterpillar, pertencente a Prefeitura Municipal de Itiúba e só funcionava das 18:00 as 22:30 horas, os refrigeradores da comunidade ficavam descongelados durante todo o dia.
As maiores e melhores geladeiras de Itiúba, naquela época, eram de propriedade do Bar Central e do Bar do Zé Dantas.
Na residência da velha Neném, situada na Av. Getúlio Vargas, não tinha geladeira, más a sua filha e minha professora particular Cicleide, preparava uma deliciosa Abafabanca nos sabores de coco e chocolate e colocava os cubos para solidificar, na casa da Sra. Deni Damasceno e, na hora do recreio, nós saboreávamos aquela apetitosa guloseima.
Anos mais tarde, o Sr. Wagner Mello Santos resolve instalar uma sorveteria com um gerador próprio, que funcionava diariamente, nos fundos de sua residência, situada na Rua Cel. Manso Sampaio.
Foram contratados vários vendedores externos que percorriam por toda a cidade, portando um isopor a tiracolo. Um dos sorveteiros era o “Bodão”, um sujeito analfabeto, recém chegado da Fazenda Periperí, situada na Serra de Itiúba.
Sabendo da sua deficiência cultural, grupos de estudantes se reuniam para comprar picolé em sua mão, às vezes consumiam todo o estoque e na hora de pagar, não era quitado o valor real e sim um valor bem inferior.
Voltando a sorveteria para repor o estoque e prestar contas com Dona Dorinha, sempre faltava dinheiro, e quando ela lhe perguntava pelo restante da féria ele respondia: “é os malandros D. Dorinha, é os malandros”! Por conta disso, Bodão foi exonerado do cargo.

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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