A Morte do Peru Embriagado

Valmir Simões

 

 

 

Ainda garoto, na minha querida Itiúba, sempre testemunhava a morte de galinhas pelas mãos do nosso cozinheiro Ademar, que, por muitos anos, preparava as “cantoras” com diversos tipos de temperos.
Natal, uma data diferente, festas e preparação de comidas próprias da época, sendo o carro chefe o Peru. Como é do conhecimento de todos, naquele tempo não tínhamos as facilidades dos dias atuais, quando o Peru chega às nossas mesas de diversas maneiras. Mas, na nossa casa, o Ademar pegou um Peru que estava sendo muito bem criado para morrer na véspera do Natal, no quintal da casa que era muito grande e ele perambulava a vontade, se alimentando de milho e restos de comida, forte, robusto, ostentando a sua tradicional escova preta estampada no peito, o que significava que não era tão novinho assim. Com o Peru entre as pernas o Ademar deu-lhe, contra a sua vontade, uma talagada de cachaça que, segundo as pessoas, serve para amolecer a carne. O peru foi solto e como estava embriagado, deu algumas voltas, meio tonto e caindo, e o Ademar, se aproveitando da facilidade, o executou. Jurei que jamais presenciaria tal crueldade. Prefiro o Peru congelado que ser testemunha da cena do Peru embriagado.




 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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