O Veículo que não Funcionou

Antônio Ricardo da Silva Benevides

 

 

 

Desta feita desejo dirimir dúvidas sobre a crônica nº 03, publicada por Bem-te-vi neste site e questionada por Ivan Carvalho na crônica nº 04.
A principio devo informar que o nome do inventor não é Otacílio e sim Walmir, um sapateiro vindo da cidade de Serrinha que se estabeleceu no Beco da Faca no final da década de 60, com a finalidade de reformar calçados.
Percebendo que a sua receita não era compatível com as suas despesas, resolveu fabricar um veículo de madeira para que segundo ele, transportar pessoas da sede do município para a zona rural.
Walmir era um sujeito nervoso e demonstrava certo desequilíbrio emocional, além de gostar de tomar uns goles de tampa de capuco. Morava e trabalhava em um pequeno cômodo alugado, com aproximadamente quatro metros quadrados.
Ao iniciar a fabricação do carro não se preocupou com as dimensões do seu invento e após um ano de labuta e o seu termino, percebeu que a estreita porta da frente da tenda não dava passagem ao mesmo.
No dia seguinte, com a colaboração de alguns colegas de cachaça, demoliu quase a totalidade da parede do imóvel e só assim conseguiu retirar sua geringonça. Naquele momento, dezenas de curiosos se aglomeraram ao longo do Beco da Faca, para assistirem a tão esperada partida do automóvel, que não seria movido a combustível e sim através de dois pedais. Após várias tentativas sem êxito, Walmir sofreu uma grande frustração e em seguida ateou fogo no veiculo.
Meses depois, já debilitado, desapareceu de Itiúba, deixando sua amante Didiza, em companhia do seu pequeno filho Selmo.




 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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