O ZUCA FUMEIRO E O BUSCAPÉ

Valmir Simões

 

 

Aproximavam-se as festas de São Pedro e um dos locais de grandes comemorações era a casa da parteira "mãe" Teodora (quem em Itiúba, naquele tempo, não nasceu pelas mãos de D. Teodora?).


Meu pai (José Simões), que não ficava alheio a estas festas, fez uma encomenda de vários tipos de fogos, tais como: pistolas coloridas, morteiros de três tiros, canhão, chuvas de prata, traques e bombas. Como encomenda especial três dúzias de busca-pés, daqueles fabricados na cidade de Senhor do Bonfim. O Zuca Fumeiro, mais conhecido como Zuca do Cariacá, logo na semana seguinte chegou com a mercadoria, retirou-a do boca-piu (tipo de sacola feita de palha), e disse: - aqui meu amigo, tudo de 1a. qualidade. Meu pai, porém, fez uma exigência: - tire um busca-pé para a gente fazer um teste aqui no quintal da venda para ver o efeito dele. O Zuca retirou um lacre que protegia a pólvora e encostou o charuto que acabara de acender e o busca-pé pegou fogo. Houve uma tremenda explosão, acompanhada de uma fumaceira infernal e o Zuca saiu pulando e aos berros gritava:- Zé Simões! Fui capado, veja minha situação! O coitado estava com a calça da cintura para baixo toda dilacerada. O que aconteceu realmente foi um tremendo “chabu”, pois toda a pólvora, juntamente com a bomba, saiu pelo fundo do busca-pé ocasionando o estrago. O Zuca foi levado para a farmácia de D. Ziru, mas ela pediu que o levasse para o Soares, pois o local do curativo era um tanto complicado para ser tratado por uma mulher. Felizmente, com o tempo, o Zuca foi se restabelecendo e não apresentou maiores sequelas. Claro, meu pai não ficou com os busca-pés, com receio de acontecer o mesmo problema com ele

 

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