Bola de Molambo

Valmir Simões

 

 

 

Saudades! É, ficam mesmo “só na saudade” as brincadeiras do nosso tempo de menino, pés sujos de poeira, joelhos encardidos de tanto cair e rolar pelo chão, calção sujo de terra. Ah! Por falar em calção, junto a Pensão Vitória de minha saudosa Dindinha Chiquinha, residia quase parede e meia D. Joaninha do Jeremias, uma costureira de mão cheia, como se dizia antigamente. Lá Dindinha encomendou um calção de brim branco com uma fita vermelha de cada lado que, depois de pronto, só permaneceu branco por dois dias, pois na pelada da “Bola de Molambo” o coitado mudou de cor e minha cabeça sofreu com os cocorotes, por ter usado um calção tão bonito, feito com tanto gosto e ter mudado de cor se esfregando pelo chão. É, naquele tempo cascudo e cocorote eram a mesma coisa e não mudavam o lugar, todos eram diretos na cabeça. A bola de meia ou molambo eram uma só, todos tinham como base uma meia de adulto cheia de retalhos ou panos velhos e o pescoço, ou cano da meia costurado, sempre para dar um arredondamento feito uma bola. Muita cabeça de dedo era espatifada nesta boa brincadeira. Para fazer pontinho não tinha nada igual. Hoje nem meia nem molambo, apenas a saudade.

 



 

 





 


 

 




 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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