Banho de Sangue

Antônio Ricardo da Silva Benevides

 

 

 

Não me refiro a violência ou guerra, mas sim, a diversão. Quando criança, nos anos 60, eu costumava tomar banho na “Cacimba da Matança”, naquela água avermelhada, do sangue que escorria pelas valetas, dos animais abatidos no matadouro. Às vezes fico a me indagar, quanto perigo! A cacimba ficava sob um gigante pé de quixabeira, uma árvore que produz espinhos, além da lama preta acumulada no fundo daquela pocilga. Isso ocorria quando não podíamos desfrutar das águas límpidas das cacimbas do Cazé e do Ademir.
Seu Cazé costumava pagar um vigia para ficar a beira da sua cacimba, para afastar os afoitos nadadores, enquanto que Seu Ademir ficava do quintal da sua residência disparando tiros de espingarda carregada de sal grosso para nos afugentar.
As antigas cacimbas de Itiúba foram nossas piscinas de hoje.


 



 





 


 

 




 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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