A SALADA DE FRUTAS E OS CÁGADOS

Valmir Simões

 

 

No reservado do armazém do Banduca sempre havia alguns amigos jogando gamão e batendo papo. Todos bem descontraídos. Naquele dia estavam apostando para ver quem era capaz de tomar uma tigela de salada de frutas cheia, pelas beiradas. Quando entrei olharam para mim e disseram:


− Se vocês não topam, este aí tira de letra, bebe todinha sem deixar nada!

O Pedrinho Capitão, o Zuca e o Boca gritaram:

− Se não beber paga!

Eu, me achando o porreta diante dos elogios dos companheiros, sentei em um tamborete, encostei a tigela na boca e comecei a tomar a tal da salada de frutas. Em certo momento, parecia que quanto mais eu bebia, mais aumentava o volume. Pelos meus cálculos, a tigela devia ter em torno de oito copos grandes. Comecei a suar e sentir o estômago extremamente dilatado. Ao levantar os olhos para os colegas ainda os ouvir dizer:

− Puxa parece que ele realmente vai conseguir!

Naquele momento comecei a ficar tonto, senti que não tinha mais condições de tomar todo o conteúdo, levantei e saí correndo para a porta do reservado que dava para o quintal e "despachei" tudo, justamente em cima dos cágados que o Banduca ali criava e que estavam junto à escada da porta. Os amigos pagaram a conta por mim ou o Banduca dispensou o pagamento, não me lembro mais.

 

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