De Olho na Titela

Valmir Simões

 

 

 

Antigamente, naqueles bons tempos, nos dias de domingo geralmente apareciam um compadre, uma comadre ou, simplesmente, um vizinho que era convidado para pegar um pirãozinho diferente na nossa casa. Com já foi relatado em contos anteriores, nós criávamos bastante galinhas, perus, galinhas d`angolas (lá chamadas de “saqués”) e cágados no quintal, na verdade um costume do interiorano, carne sadia de aves alimentadas com milho e restos de comida, pois ração não existia. Um ensopado de galinha caipira ninguém rejeitava. E o molho pardo? Hummm! Este era um espetáculo. Mesa posta e muita fartura, sob os olhares do convidado a espera que os donos da casa fossem servidos em primeiro lugar. Meu pai deu inicio e pegou aquela parte carnuda do peito, conhecida por titela, o convidado olhou para meu pai e disse: - Eta Zé, eu tava de olho nesta titela. - Você não fique de água na boca, pois minha mulher matou duas galinhas, futuque na porcelana que vai encontrar outra aí, disse meu pai, com ar de riso. E assim o convidado matou o desejo.


 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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