Dinheiro Carimbado

Valmir Simões

 

 

 

Naquele tempo, com mais ou menos uns 10 anos de idade, eu ficava pela manhã na escola e a tarde no armazém do meu pai. Às vezes, para atender a freguesia, precisava do auxilio de um caixote de madeira, para ter altura suficiente no balcão. Por lá chegavam, caixeiros-viajantes, vendedores de todo tipo representando várias firmas de Salvador e ou cidades circunvizinhas. Certo dia apareceu uma pessoa que representava uma fábrica de carimbos e convenceu meu pai a fazer um carimbo com o nome de sua firma para usar no estabelecimento. Lembro-me que o carimbo foi encomendado e na data ajustada foi entregue o carimbo, uma almofada e um produto, tipo tinteiro para molhar a almofada. O carimbo tinha o nome completo do meu pai, no centro as palavras “Comércio de Secos e Molhados” e endereço do estabelecimento e cidade. Certo dia me deu na cabeça de carimbar no verso toda cédula nova que chegava, de preferência as de menor valor. Por que? Não sei, uma escolha. E assim fui carimbando, carimbando e meu pai sem perceber. Uns 3 dias depois eu fui chamado num canto da venda, levantado pelas orelhas e tomei vários cocorotes e fui terminantemente proibido de pegar no carimbo sob pena de ter uma surra daquelas. Alguém na cidade levou ao conhecimento dele o que estava ocorrendo. Eu estava divulgando o estabelecimento, já naquele tempo.


 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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