O Rasga-Mortalha

Valmir Simões

 

 

O nosso interior é recheado de histórias do outro mundo, tipo Lobisomem, Mula sem Cabeça, Alma Penada, Vampiro etc. Todas essas superstições ficam na imaginação das pessoas e vai passando de pai para filho. Naquele tempo, na nossa velha Itiúba, ainda garoto, lembro-me da história do “Rasga-Mortalha” que em certas horas da noite sobrevoava a nossa casa, com um piado bem forte, parecendo que estava rasgando um pedaço de tecido. Ficávamos assombrados, minha mãe dizia: Crê Deus Pai, Ave Maria nos proteja, que não seja daqui de casa. Segundo a crença popular, quando esta ave sobrevoava uma residência e dava este piado, geralmente ocorria um óbito naquele lugar. Por coincidência ou não, alguém que estivesse doente na redondeza e viesse a falecer, alguém culpava o agouro do Rasga-Mortalha. A ave agourenta é simplesmente uma Coruja Grande de penas brancas, que só sai da toca ao anoitecer, para se alimentar. Inofensiva e que não tem nenhuma sociedade com casas funerárias.

Colaboração: Valmir Simões

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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