Histórico da Cidade de Itiúba

Hugo Pinto de Carvalho

 

 

 

Em 1600 as terras do antigo território do município de Itiúba pertenciam ás Sesmarias do famoso fidalgo português Garcia D’Ávila - da Casa da Torre - e faziam parte da Freguesia de Jacobina, quando eram habitadas pelos índios pataxós e cariacás.

Em 1622 teria ocorrido o primeiro povoamento com o chamado “Ciclo dos currais” no alto da Serra de Itiúba com o nome de São Gonçalo do Amarante.

Em 1662 chegaram à região os jesuítas encarregados da catequese dos selvícolas , quando construíram a Igreja do citado povoado, e a capela da Laje do Céu com seus 600 metros de altitude, ambas ainda existentes.

Em 1697 o velho território foi transformado em “julgado”, passando a pertencer a Vila Nova da Rainha - hoje cidade de Senhor do Bonfim, - por decisão de Dom Fernando José, de Portugal.

Em 1700 com a chegada de grandes criadores de gado, plantadores de café e mercadores de escravos ocupando as melhores terras do território, os índios locais pataxós e cariacás foram expulsos, e algumas tribos dizimadas.

Em 1800 teve inicio o polêmico domínio financeiro, político e religioso do famoso Padre Severo Cuim Atuá sobre a região, inicialmente com a sua volta de Portugal onde estava estudando na famosa Universidade da cidade de Coimbra, e depois de herdar grandes e valorizadas extensões de terras de seu abastado pai Sr. Joaquim Simões da Silva, da Fazenda Junco, e finalmente fixar residência no grande e pomposo palácio por ele construído na Fazenda Tapera, cujas ruínas ainda são visíveis. O dinâmico sacerdote manteve-se por muitos anos como o homem mais rico e poderoso da região, inclusive foi até “Intendente” da vizinha cidade de Senhor do Bonfim. Porém, quando começou a perder sua liderança com o avanço da idade e principalmente por desavenças com a igreja católica que o afastou do clero, preferiu mudar-se para a cidade de Cachoeira no recôncavo baiano, passando a viver modestamente.

Em 1860 já com a saúde seriamente abalada e com quase oitenta anos, o famoso sacerdote morre no povoado de São Gonçalo dos Campos pertencente ao município de Cachoeira.

Em 1862 com a construção da primeira casa na Fazenda “Salgada” no sopé da serra, de propriedade de D. Izabel Simões de Freitas, sobrinha do Padre Severo e mãe do Coronel Aristides Simões de Freitas, desenvolveu-se um novo povoamento que, beneficiando-se de suas terras baixas, planas e de fácil acesso, sobrepujou em pouco tempo o antigo povoado de São Gonçalo do Amarante.

Em 1880 o novo povoado expandiu-se e foi transformado no Arraial de Itiúba.

Em 1884 o velho território novamente teve sua subordinação modificada passando a pertencer a Santo Antônio das Queimadas, hoje cidade de Queimadas.

Em 1887 com o advento da construção da estrada de ferro passando por suas terras ligando Salvador a Juazeiro, o arraial de Itiúba teve seu crescimento ainda mais acelerado, alcançando a categoria de Vila de Itiúba.

Em 1900 inicia-se a era da evolução politica da Vila com a liderança dos coronéis Mansos Sampaio e João Antônio da Silva, sucedidos respectivamente pelos coronéis Aristides Simões de Freitas e Belarmino Pinto de Azeredo.

E finalmente em 17 de janeiro de 1935, pelo Decreto estadual nº 9322, a Vila de Itiúba foi elevada a categoria de cidade desmembrando-se do município de Queimadas, sendo nomeado pelo governo do estado como seu prefeito o político filho da terra, Sr. Belarmino Pinto de Azeredo que no ano seguinte com a realização das primeiras eleições municipais, manteve-se no cargo, eleito legitimamente pelo povo, quando construiu o imponente prédio da Prefeitura Municipal, e deu inicio as obras de urbanização da nova cidade que nasceu nas terras da velha Fazenda “Salgada”.

Quanto á denominação da serra, da qual se originou o nome da cidade, o historiador Teodoro Sampaio, alega que o nome é originario da expressão tupi-guarani, “tuyba”, que significa “abelha dourada”, porém, em antigos documentos do arquivo público do estado da Bahia consta que o termo provém da palavra “itaúba” também de origem indígena, mas que significa “canoa de pedra”. Porém de acordo com o Presidente da ONG SERRA DE ITIÙBA, Humberto Pinto de Carvalho, o nome significa "água de Pedra".

Vale lembrar que o perímetro urbano da cidade, é exatamente o local onde ficava a antiga Fazenda “Salgada”, e a primeira casa construída por D. Izabel Simões de Freitas - Dona Iaiá Bebé – que deu origem a cidade é hoje uma atração turística ainda com sua fachada original, e fica no início da Avenida Getúlio Vargas em frente a Prefeitura Municipal.

 


 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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