Lembranças da Feira de Itiúba

Valmir Simões

 

 

 

 

Naquele tempo a feira do sábado era o dia de maior faturamento do comércio itiubense. Muitos feirantes e moradores de localidades vizinhas vinham vender, comprar e, às vezes, trocar (fazer rolo). Na verdade, por ser uma feira, tinha de tudo, desde o preá moqueado até o filhote de papagaio semi depenado; da calça marca Coringa à cueca samba-canção, cangalha, sela, esteira de palha, rapadura de mamão verde, pomada de peixe-boi, com poderes para curar da gripe até icterícia, fumo de rolo, feijão de corda, f eijões mulatinho e carioca, panela, moringa e aribé de barro, brilhantina Glostora, Leite de Rosas, e sabonete Vale Quanto Pesa, ratoeira de mola e de arame, chapéu de palha e manteiga de garrafa, requeijão, carnes em geral, boi, porco, carneiro. Pertinho do açougue as barraqueiras ajeitavam a trempe de pedras e atiçavam a lenha cozinhando os ensopados de porco e de boi afogados na gordura. Cavalos e jumentos, amarrados em árvores, relinchavam com fome ou com saudade do seu torrão, loucos para o retorno após a feira, conduzidos por matutos embriagados, que mal sabiam o caminho de casa, nesta hora o animal era muito mais inteligente que o condutor, era capaz de chegar à roça conduzindo o bêbado do que ser conduzido. Tempos de muita recordação da nossa querida e amada Itiúba.

 


 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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