ESCURIDÃO NA FAZENDA DO ESTADO I

Valmir Simões

 

 

Um belo dia de domingo uma das minhas tias achou de convidar os primos e sobrinhos para um passeio à Fazenda do Estado, um local bem agradável, próximo à cidade, onde o Governo do Estado da Bahia mantinha toda uma infraestrutura e era referência na criação de animais de raça tais como: bovinos, ovinos caprinos, asininos e muares e despertava a curiosidade dos visitantes.


O passeio foi realizado na parte da tarde, no horário de um sol mais brando. Logo na saída eu e o meu amigo Mauricio, filho do João Mutti, passamos a ficar mais atrás, catando pedrinhas e atirando de badoque nos pássaros (atiradeira feita de forquilha de madeira, borracha e couro). Era muito divertido. Quando não encontrávamos passarinhos, não sobrava nada pela frente e tudo servia de alvo: lagartixas, estacas de madeira etc. Em certo momento, começamos a praticar tiro ao alvo nas lâmpadas dos postes que margeavam todo o percurso. Não foi poupada nem a iluminação em frente à casa do engenheiro administrador da fazenda. Tudo estava sendo praticado sem que a minha tia e toda a garotada, que seguiam bem distante, percebessem. Meio desconfiados, integramos o grupo já no retorno do passeio, lá por volta das 6 horas da tarde, ainda dia claro.

No dia seguinte, por volta das 9 horas, eu estava na venda do meu pai (José Simões) e vi a charrete do engenheiro da Fazenda do Estado estacionar em frente ao estabelecimento e ele entregar um papel ao meu pai. Senti um suor frio correr por todo o corpo e pensei logo:

- Meu Deus, descobriram que eu e o Mauricio quebramos as lâmpadas e nem sei quantas foram.

A nota dava conta de 42. Meu pai só fez olhar para mim e disse:

- Não estou duvidando de nada.

Comprou 21 lâmpadas e o Sr. João Mutti assumiu o restante. Ambos fomos castigados pelos pais, mas o meu castigo foi bem pior, fiquei um ano sem ir ao cinema, a minha melhor diversão naquela época.

Nunca consegui esquecer este acontecimento que foi uma grande lição para mim.

 

SOBRE A FAZENDA DO ESTADO LEIA:
- A FAZENDA DO ESTADO I (pág.76) - Fernando P. de Carvalho
- A FAZENDA DO ESTADO II (pág.77) - Ivan de Carvalho
- A ESCURIDÃO NA FAZENDA DO ESTADO II (pág.92) - Ivan de Carvalho
- ANTÔNIO MOTTA (pág.145) - Humberto Pinto de Carvalho

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