RAJÁ, O CÃO DE ESTIMAÇÃO

Valmir Simões

 

 

Naquela época os cães de estimação eram alimentados com ossos, pelancas de boi e restos de comida. Não era como hoje que existem rações de todo tipo para os animais.


D. Alzira Oliveira, mais conhecida como D.Ziru da Farmácia, pessoa muito conceituada na cidade, conversando certa vez com meu pai demonstrou interesse em adquirir um cão, pois se encontrava muito sozinha e o animal serviria de companheiro fiel e, também, como protetor para o seu estabelecimento comercial.

Poucos dias depois apareceu com o animal que recebeu o nome de Rajá. Desde pequeno recebeu tratamento "vip": carne de 1ª e mingau de maizena ou cerealina. O cão cresceu rapidamente e ela desfilava com ele aos domingos à tarde pela calçada da sua casa. Às vezes, ela sentava à porta, em uma cadeira de lona, e Rajá ficava na grade pelo lado de dentro.

Certa vez apareceu por lá um fotógrafo da vizinha cidade de Senhor do Bonfim fazendo fotos e o cão foi fotografado, retocado e poucos dias depois, D. Ziru orgulhosamente mostrava a foto estampada em um prato de louça branca.

Certo dia o animal dormiu e não acordou mais. Foi o dia de maior tristeza de D. Ziru. Eu nunca tinha visto nada igual. Ela não abriu a farmácia e às pessoas que procuravam por remédios ela informava:

─ Se for algum medicamento de muita emergência eu atendo, se não for eu não atendo pois estou de luto pela morte de Rajá.

Rajá foi enterrado no quintal da residência de D. Ziru, em caixão de madeira com direito a flores e tudo mais. Depois deste ocorrido D. Ziru não era mais a mesma e estampava sempre muita tristeza em sua face.

 

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