ZÉ ALEIJADO

Hugo Pinto de Carvalho

 

 

 

 

 

Ele tinha este apelido porque nascera com deficiências nas duas pernas que, além de finas, eram pequenas. Por isso, não suportavam seu peso impedindo-o de caminhar. Morava na zona rural, mas todos os sábados ele ia para a feira-livre da cidade montado em seu jumento, para pedir esmolas. Locomovia-se com ajuda de duas muletas de madeira, daquelas antigas apoiadas em baixo dos braços e, num paradoxo, devido ao esforço que fazia para sustentar seu corpo, adquiriu uma forte musculação da cintura para cima, principalmente nos braços.

Como gostava de tomar umas “biritas” ao final da feira, era inevitável meter-se em brigas e confusões, mas nenhum valentão da cidade atrevia-se enfrentar o Zé, pois sabia que embora ele não se segurasse em pé sem as muletas, porém, mesmo sentado ao chão se conseguisse agarrar qualquer um, seria muito difícil ou impossível livrar-se de seu abraço de tamanduá.

 


 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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