O SONO DO DENDÊ

Valmir Simões

 

 

 

 

 


Ainda me lembro da Semana Santa na nossa terrinha. Os peixes mais consumidos naquele tempo, em primeiro lugar vinha o bacalhau, aquele acondicionado em barricas de pinho reforçadas com aros metálicos, mas a maioria das pessoas consumia traira, mandi e jundiá, vindos dos açudes do Jenipapo, Coité, Picos, e Camandaroba. Lá de Juazeiro vinha o famoso surubim do São Francisco. Na verdade tinha peixe para todos os gostos e bolsos. Vatapá e Caruru sempre estavam presentes em todas as mesas. Tudo isto sem o Dendê seria impossivel, já que cor aroma e sabor são o seu forte. Naquele tempo os comerciantes se antecipavam e engarrafavam, em litros, garrafas e pequenos recipientes, o famoso dendê. Outros compravam apenas uma ou duas medidas e sempre perguntavam a quem vendia: "Seu fulano, o dendê tá dormido?. Como se este tivesse sono. Tudo isso porque uma parte ficava mais endurecida. Semana Santa sem dendê é impossivel.

 

 


 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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