HÉLIO SIMÕES DE FREITAS

Hugo Pinto de Carvalho

 

 

 

 

 

 

Neto do coronel Aristides Simões de Freitas, ele perdeu a visão ainda quando adolescente, na década de 1940, em um acidente com uma patinete e, por isso, teve que interromper seus estudos em Salvador e voltar para Itiúba, onde seus familiares acharam que seria melhor para sua adaptação á nova e dura realidade, já a cequeira, segundo os médicos, era irreversivel.

E, de fato, em sua terra natal, junto aos amigos e conterrâneos, superou o angustiante trauma. Aprendeu a andar sozinho pelas ruas da cidade sem ajuda de guias, participava ativamente da vida social da localidade, dedicou-se a tocar saxofone e com ele fazia serenatas e até festas, namorava, dançava, cantava, jogava o conhecido Dominó, de igual para igual com os amigos - reconhecendo as pedras pelo tato -, fazia parte das diretorias dos clubes locais e das comissões dos festejos em louvor da padroeira da cidade, discutia política e comentava livros famosos de romances e da história universal, administrava os bens da herança da familia, e ainda era fã do cinema. Sim, ele frequentava também o Cine Itiúba, quando pedia à namorada ou um amigo para ler para ele as legendas dos filmes. Tinha uma particularidade marcante, que era reconhecer as vozes de todas as pessoas que faziam parte de seu grande circulo de amizade e de seus familiares. Como se pode notar, o nosso amigo Hélio Simões foi um exemplo de superação.

 

 

 

 

 

 

 


 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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