REIS DO ESTILINGUE

Hugo Pinto de Carvalho

 

 

 

 

 

 

O estilingue ou badogue, como era mais conhecido no nordeste, foi um tipo rudimentar de atiradeira muito utilizada pela garotada itiubense como diversão, e principalmente na caçada aos passarinhos. De fácil fabricação, pois, com apenas uma forquilha de galho de planta, duas finas tiras de borracha de câmara de ar de bicicletas e um minúsculo pedaço de couro, qualquer criança podia fazer sua arma sem maiores complicações. E, como ainda não existia o IBAMA na época, as caçadas eram constantes, colocando em risco a sobrevivência das espécies da região.

Eu ainda lembro que foram muitos os possuidores da rudimentar atiradeira na cidade, porém poucos os bons atiradores. Os melhores mesmos foram os aguadeiros Nego Luís e Mussoline, mas havia outros bons atiradores como o Herbinho - meu irmão – e o nosso saudoso amigo Valmir Simões que, conforme sua crônica número 06 “Escuridão da Fazenda do Estado”, ele quebrou todas as lâmpadas de iluminação dos postes da Fazenda Modelo com seu inseparável badoque e aprimorada pontaria, e ganhou como castigo de seu pai, José Simões, a proibição de frequentar o Cine Itiúba por um ano inteiro. E, se considerar que o cinema era a principal diversão noturna da cidade, percebe-se que o castigo do moço foi bem pesado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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