CAVALO DE SELA

Hugo Pinto de Carvalho

 

 

 

 

 

Em Itiúba, era costume utilizar-se do cavalo somente para montaria. Ninguém ousava colocar cangalha no animal para transportar cargas, e muito menos, para puxar carroça, mesmo que fosse um reles pangaré. Os cavalos do Cazé, por exemplo, eram montados somente por ele e sua esposa D. Margarida. Cargas com cangalhas e carroças eram serviços para os burros, um animal híbrido do cruzamento do cavalo com jumenta ou do jumento com égua, que segundo a lógica dos criadores locais, era um animal de grande resistência, e ao contrário do cavalo, não se adaptava à montaria.

A discutível lógica itiubense manteve-se por muitos anos, até quando alguns carroceiros e tropeiros com dificuldades de arranjar bons muares para seus trabalhos de transportes de cargas começaram a utilizar os nobres cavalos itiubenses, que assim perderam sua mordomia.

 

 

 

 

 

IR PARA O ÍNDICE DE CRÔNICAS DESTE AUTOR
IR PARA O ÍNDICE POR ASSUNTO
IR PARA O ÍNDICE POR AUTOR
IR PARA O ÍNDICE GERAL

 

Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


fpcarvalho@globo.com