I

DITOS POPULARES

Hugo Pinto de Carvalho

 

 

 

 

 

Como em outras cidades do interior, a população de Itiúba também fazia muito uso de vários ditos populares existentes no país, como os citados abaixo:

Osso duro de roer (coisa difícil)   -  Bom de papo (pessoa  bem falante) -  Bom de bico (pessoa gulosa)  -  Pé de valsa ( bom dançarino)  -  Quem canta não assovia (fazer duas coisas ao mesmo tempo  -  Quem canta seus males espanta ( despreocupação)  -  O bom cabrito não berra ( aguentar os revés da vida)  -  Banho de cuia (banho sem chuveiro)  -  Quem tem pressa come cru (decisão apressada)  -  O seguro morreu de velho ( prevenção)  -  Quem tem telhado de vidro não joga pedra no do vizinho (precaução)  -  A pressa é inimiga da perfeição (perfeccionismo) - Em casa de ferreiro espeto de pau (contradição)  -  Água mole em pedra dura tanto bate até que fura (persistência)  -  Bebeu água em chocalho (pessoa tagarela) - Cara de pau (pessoa cínica) - Dor de cotovelo (arrependimento)  -  Uma luz no fim do túnel ( última esperança)  -  Maria vai com as outras (pessoa sem opinião própria)  -  Cão que ladra não morde (ameaça em vão) – Para cavalo velho capim novo (casamento de idoso com jovem)  -  Em cavalo dado não se olha  os dentes (presente de pouco valor) -  Cavalo peado também come (algo fora dos padrões convencionais)  -  Onde não tem onça carneiro folga (despreocupação)  -  Fazer omelete sem quebrar o ovo ( coisa impossível)  -  Ficar em cima do muro (indecisão)  -  Nem ata nem desata (noivado demorado)  -  Entre quatro paredes (segredo a dois)  -  Quebrar o galho (ajuda)  -  João ninguém (pessoa desprezível)  -  Envelope de madeira (caixão mortuário)  - Missa encomendada (encontro proposital)  -  Ainda vai passar muita água por baixo da ponte (futuro incerto)  -  Bode expiatório (ser acusado em lugar de outro)  -  Pagar o pato (engano)  -     Peru de roda (palpiteiro em jogo alheio)  -  Perna de pau (mau jogador de futebol)  -  Andar na corda bamba (equilibrar-se)  -  Pentear macacos (não fazer nada)  -  Catar coquinhos (andar à toa)  -  Bolo fofo (pessoa gorda)  -  Barata descascada (pessoa muito branca)  -  Rato de navio (pessoa assídua em um lugar)  -  Gato escaldado de água fria tem medo (obsessão)  -  Não meter a mão em cumbuca (ser prevenido)  -  A mala da cobra (surpresa desagradável)  -  Carta na manga (recurso de última hora)  - Quem não chora não mama (consolo) - Pisando em ovos (desconfiar de tudo)  - Andar de salto alto (presunção)  - Dois bicudos não se beijam (gênios incompatíveis)  -   Bucho inchado (mau humor)  -  Toma-lá-dá-cá (troca de favores)  - A batata está cozinhando (revanche)  -  Rabo-preso (quem tem culpa em alguma coisa)  -  Dar a mão á palmatória  (reconhecer o próprio erro)  -  Vara de tirar caju (pessoa muito alta) Pintor de rodapé (pessoa muito baixa)  -  Mãe do sarampo (mulher esquisita) -  Cara de mamão macho (pessoa sem atrativos)  -  Vivendo e aprendendo (experiência) -  É tudo ou nada (desespero)  -  Angu de caroço (coisa ruim) -  Depois da tempestade vem a bonança (consolo do desesperado)  -  Quem com ferro fere com ferro será ferido (vingança) -  Se a morte é descanso prefiro viver cansado (Otimismo)  -  O diabo quando não vem manda os empregados (má companhia)  -  É melhor viver só do que mal acompanhado (desilusão)  -  Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão (compensação)  -  Antes um passarinho na mão do que dois voando (vantagem)  -  Se correr o bicho pega se ficar o bicho come (sem solução)  -  Quem com porcos se mistura farelos come (falta de caráter)  -  Ajoelhou tem que rezar (Compromisso)  -  Dizer abobrinhas (falar asneiras)  - Quem nunca comeu manteiga se lambuza todo (gulodice)  -  O barato sai caro (engodo). Macacos me mordam! (admiração) – De grão em grão a galinha enche o papo (planejamento) – Dessa moita não sai coelho (desilusão) – Quem tem boca vai a Roma (comunicação) – Macaco não olha para o rabo (preconceito) – Quando um não quer dois não brigam (racionalidade) – Quem não tem cão caça com gato (último recurso) – Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher (Sensatez) – Quem anda para traz é caranguejo (Regressão) – Quem vê cara não vê coração (insensibilidade) Dar nome aos bois (revelação) – Espírito de porco (pessoa contestadora) – Pé frio (azarado) – Bater as botas (morrer) – É tudo ou nada (ação decisiva). Mãe coruja (dedicação) – Cabeça de bagre (idiota) – O drible da vaca (sagacidade) – Cupim sabe o pau que rói (esperteza) – Tamanho não é documento (contestação) – Água que passarinho não bebe (cachaça) – À noite todos os gatos são pardos (ilusão de ótica) - Se ferradura fosse sorte burro não puxava carroça (descrença) – Chá de burro (mucunzá) – Chá da meia-noite (veneno) – Cachorro doido (pessoa inconsequente) – Briga de cachorro grande (desavença entre poderosos) – Tapar o sol com a peneira (inocência) – O pior cego é o que não quer ver (ignorância) – Em terra de cegos quem tem um olho é rei (preferência) - Olho gordo (inveja) - Vender seu peixe (opinar) – Ver o sol nascer quadrado (ir para a cadeia) – Boi de piranha (sacrificado) – Remar contra a maré (desigualdade) – Ter os pés no chão (sabedoria) -  Perder a chave (ficar sem graça) – Cobra criada (pessoa esperta) – Lavar roupa suja (apontar erros) – Bater cabeças (desentendimento) – Ficar a ver navios (decepção) – Cruzar o cabo da boa esperança (atingir idade avançada) – Criar raízes (permanecer em só lugar) – Cavalo não sobre escada (coisa esdrúxula) – Entrar em uma fria (Dar azar) – Chato de galocha (pessoa abusada) – Dar com os burros n’agua (errar onde não devia) – Engolir sapos (Fazer o que não quer) – Macaca de auditório (fã exaltada) – Cuspir no prato em que comeu (Mal agradecido) – Confundir alhos com bugalhos (não entender nada)- Bolacha quebrada (coisa sem valor).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Itiúba do meu Tempo - Fernando P. de Carvalho


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